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sábado, 4 de março de 2017

Devaneios: "Logan" (2017)

Sim, Hugh. Já podes descansar. Eu entendo o teu sofrimento. Passaste anos e anos a fazer de Wolverine enquanto vários realizadores iam brincando a personagem. Felizmente, o James Mangold desta vez lá acertou. O filme anterior ("The Wolverine") deu alguns sinais de vida, mas acabou cair mesmo no fim com o surgimento de um robô samurai gigante. Não foi espetacular - longe disso - mas fez lembrar alguns dos melhores momentos da banda desenhada criada por Stan Lee. 

"Logan" está muito próximo da perfeição, pelo menos durante a primeira hora que se foca em criar um build-up lento e cativante. Cada vez que Hugh Jackman leva uma facada ou é baleado, nós também sentimos esta dor. Longe vão os tempos em que o Wolverine era um tanque de fúria praticamente inquebrável. A personagem foi desgastada no cinema e o próprio ator também já não é o mesmo. Sem poder de regeneração e num futuro sem qualquer réstia de esperança, não há muito por que lutar: existe uma clara falta de paciência do anti-herói em lidar com certas tarefas do quotidiano, como, por exemplo, conduzir pessoas sem nome em limousines e tentar ajudar uma mãe desesperada. 

Este misto de Western e rip-off do videojogo "Last of Us" (tenho a certeza que o realizador tem várias horas nos save da PS4), consegue ter momentos brilhantes - especialmente quando Patrick Stewart se junta ao carrossel de emoções que o espetador atravessa durante esta longa viagem -, mas deita tudo a perder com um final frenético e que perde a ousadia dos primeiros minutos. Aquele maldito vilão / clone descartável estragou o enredo a partir do momento em que é introduzido. Não há como o negar.

Já podes descansar em paz, Hugh. E com o sentimento de dever cumprido.

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