Isto não é novidade, mas precisa de ser dito: o mundo sofreu muitas mutações desde o aparecimento de Trainspotting nas salas de cinema em 1996. Ah os famosos anos 90... Uma era marcada por uma avalanche de sentimentos depressivos e de fúria que varreram tudo o que aparecia à frente, desde a música até ao cinema. Era tudo mais negro, mais volátil e mais honesto. E este filme do Danny Boyle disseminava muito bem esta mensagem de desespero por todas as camadas de sociedade.
Atualmente, verifica-se, exatamente, o oposto. Apesar dos problemas globais estarem cada vez mais a atingir um ponto sem retorno, a indústria de hollywood esconde tudo isto com filtros, histórias e personagens mais simpáticas. Não deixa de ser um contraste curioso, visto que à medida que envelhecemos, tudo parece perder a magia de outrora e precisamos de nos entreter com coisas novas e revestidas por um plástico brilhante.
E é aí que entra esta sequela. Um filme totalmente deslocado e que não faz qualquer sentido em 2017. Ironicamente, este é claramente o último chuto na veia que partilhamos com este elenco. Um shot de heroína num corpo mais envelhecido e menos fugaz e que, sem qualquer surpresa, não oferece qualquer tipo de reação. Trocando isto por miúdos, é tudo demasiado brando e feliz nesta nova aventura do Ewan McGregor. É que nem a merda da banda sonora tem o mesmo efeito. E isso é triste.
2,9
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