Este é um dos poucos Oscar baits que eu adoro. Sim, este filme foi claramente feito para levar umas quantas estatuetas douradas para casa (spoiler alert: ganhou quatro) e nota-se que alterou ou omitiu grande parte da vida perturbada de John Nash (paz à sua alma).
Mas deixemo-nos de falsos moralismos. Desde o primeiro minuto que eu percebi que este era um daqueles filmes que me ia levar às lágrimas nos créditos finais. É tudo tão subtil, tão dourado e verdadeiro.
Após o discurso inicial de um dos professores, a câmara foca-se em Russell Crowe e nunca mais o larga. Afinal de contas, esta é uma história sobre este aluno calmo e com um cérebro diferente do normal e que cria analogias entre números e letras em praticamente todas as ocasiões. E desde cedo entendemos que algo não bate certo: esta noção agrava-se ainda mais para todos aqueles que deram os primeiros passos no cinema com o "Fight Club" do David Fincher, o que nos leva a duvidar de todas as personagens, interações sociais e momentos da vida de John Nash. Esta obsessão com o que é real e o que é produto da imaginação da personagem, acaba por retirar um pouco da magia a este filme. Já não somos tão facilmente surpreendidos com a esquizofrenia que vai crescendo, minuto a minuto, na mente do futuro professor da faculdade de Princeton.
Contudo, a influência de Russell Crowe nos restantes elementos do elenco - a atriz Jeniffer Connelly está em modo Godlike e merece totalmente o reconhecimento dado através do Óscar de Melhor Atriz Secundária em 2002 - é divinal e torna este filme numa autêntica epopeia de superação para todos os que estão envolvidos no enredo. Nada é deixado ao acaso e são os pequenos detalhes como a banda sonora divinal do compositor James Horner que elevam ainda mais este filme. Fossem todos os Oscar baits assim e, na verdade, éramos todos mais felizes.
E aí vão 2-0 para o Ron Howard. Até parece fácil.
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